BOMBA DO DIA: Deputado Alex Redano na mira, PF aponta fala sobre 'matar alguém' em inquérito sobre suspeita de compra da Mesa Diretora da ALE-RO

 


O ponto mais grave do inquérito aparece em uma conversa interceptada na qual um dos investigados é alertado para não tratar determinados assuntos por telefone

A Polícia Federal indiciou Jean Carlos Scheffer Oliveira, Alexsandro Aparecido Zarelli, Laerte Gomes e Josimar Zarelli no Inquérito Policial nº 0179/2019-4-DPF/VLA/RO, que apura suspeitas de irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia.

O procedimento, conduzido pela Delegacia da Polícia Federal em Vilhena, trata de suposto esquema envolvendo pagamento de vantagens, cargos comissionados, “contabilidade paralela” e articulação política para garantir a eleição de Laerte Gomes à presidência da ALE-RO.

O ponto mais grave do inquérito aparece em uma conversa interceptada na qual um dos investigados é alertado para não tratar determinados assuntos por telefone. No diálogo, há referência à possibilidade de “fazer” uma pessoa, expressão registrada no relatório policial como indicação de matar alguém.

Segundo a transcrição anexada ao inquérito, a conversa menciona que, caso fosse necessário “fazer” um homem, três pessoas estariam envolvidas. O trecho foi destacado pela Polícia Federal dentro do conjunto de diálogos considerados relevantes para a investigação.

O inquérito afirma que as investigações tiveram origem em apurações anteriores sobre supostos crimes contra a ordem tributária e fiscal, atribuídos inicialmente a Alexsandro Aparecido Zarelli. No decorrer das interceptações telefônicas e ambientais, a PF informou ter identificado indícios de outros crimes, incluindo corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.

De acordo com o relatório, o foco deste desmembramento passou a ser a apuração de ilicitudes envolvendo a eleição de Laerte Gomes para a presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia. A Polícia Federal afirma que diálogos interceptados apontaram possível recebimento de vantagem indevida por parte do então deputado eleito Jean de Oliveira em troca de apoio político à eleição da Mesa Diretora.

Em uma das conversas citadas no inquérito, Gildásio Rebouças dos Santos, conhecido como Baiano, que seria ligado a Jean de Oliveira, menciona possível recebimento de valores para apoio à eleição da presidência da Assembleia. Segundo a transcrição, Jean receberia entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, além de cargos comissionados. Em depoimento, Gildásio confirmou a conversa, mas disse que se tratava de brincadeira interna.

A Polícia Federal também aponta que Alexsandro Zarelli esteve em Porto Velho entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2019, período em que ocorreu a inauguração da nova sede da Assembleia Legislativa de Rondônia. Segundo o inquérito, a análise de estações rádio base e diálogos interceptados indicou que ele teria atuado politicamente dentro e fora da ALE-RO.

Um dos principais pontos do relatório é a reunião realizada no quarto 603 do Hotel Larison, em Porto Velho. Conforme a PF, imagens do circuito interno do hotel mostram a chegada de deputados ao andar do apartamento ocupado por Alexsandro Zarelli no dia 23 de janeiro de 2019, às 17h40.

O documento cita a presença de Laerte Gomes, Alex Redano e Jean de Oliveira no local. Segundo a Polícia Federal, as imagens confirmam as afirmações de Alexsandro de que deputados estiveram em seu quarto de hotel. O relatório afirma que o encontro reforça a tese de um conchavo político para eleger Laerte Gomes presidente da Assembleia no biênio 2019/2020 e Alex Redano no biênio 2021/2022.

Em outro áudio citado pela investigação, Alexsandro Zarelli afirma que participou de uma reunião no quarto do hotel e que o “fechamento” ocorreu naquele local. No mesmo trecho, ele diz que Laerte seria “nosso” e que faria o que ele mandasse. A PF também registrou que Alexsandro afirmou que passaria a fazer a contabilidade de Laerte.

 

A investigação aponta ainda que, no dia 24 de janeiro de 2019, Alexsandro teria dito que cinco deputados se reuniram em seu quarto de hotel em Porto Velho e decidiram que Laerte seria o presidente da Assembleia. No mesmo diálogo, ele afirma que o grupo queria fechar com ele uma “contabilidade acessória”.

A expressão chamou a atenção da Polícia Federal. Para os investigadores, o termo indicaria uma espécie de contabilidade paralela à oficial. O relatório afirma que a suposta contabilidade do grupo, especialmente de Laerte Gomes, teria relação com formas de pagamento e manutenção de influência política.

Em outro diálogo ambiental, datado de 25 de janeiro de 2019, Alexsandro conversa com Jean de Oliveira sobre o serviço de contabilidade que seria prestado a Laerte. Na transcrição, Alexsandro diz que, ao pegar a contabilidade de Laerte, o grupo poderia “segurar” o deputado. Em seguida, afirma que ele ficaria com o “rabinho mais presinho”.

Alexsandro também negou ter sido convidado para realizar contabilidade paralela ou acessória do grupo político. Afirmou que fazia apenas a contabilidade de propriedades rurais ligadas à família de Jean de Oliveira e negou que a nomeação de Josimar tivesse relação com pagamento de serviços contábeis.

Jean de Oliveira, por sua vez, negou ter recebido vantagem indevida para apoiar a eleição de Laerte Gomes. Em depoimento, afirmou que a eleição da Mesa Diretora ocorreu a partir de entendimento político e que apoiou Laerte por afinidade e por entender que ele seria o melhor nome para presidir o Poder Legislativo.

Questionado sobre reunião no Hotel Larison com Laerte Gomes, Alex Redano e Alexsandro Zarelli, Jean disse inicialmente que não participou. Depois, ao ser perguntado sobre o encontro no quarto 603 em 23 de janeiro de 2019, afirmou que não se recordava. Também disse não se lembrar de conversa sobre Laerte ficar com o “rabinho mais presinho” nem de diálogo sobre pagamento de contabilidade por meio de portaria.

Na conclusão do relatório, a Polícia Federal afirma que o conjunto probatório indicou autoria e materialidade em relação aos crimes de associação criminosa, peculato-desvio e corrupção passiva. Segundo a PF, Laerte teria nomeado pessoa para remunerar serviço de Alexsandro Zarelli, com destinação de recursos públicos para finalidade diversa daquela prevista.

O inquérito também conclui que houve suspeita de solicitação ou recebimento de vantagem indevida para a eleição da Presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia. O relatório foi submetido à apreciação da Justiça para as medidas cabíveis.

O caso envolve uma das investigações mais graves sobre a disputa interna pelo comando da Assembleia Legislativa de Rondônia, com citações a compra de apoio político, cargos comissionados, suposta rachadinha, contabilidade paralela e diálogo com referência à possibilidade de matar alguém.

FONTE: TUDO RONDONIA

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